LUIZ HENRIQUE DIAS

Aoû 15 2011
Aoû 09 2011

Prefácio

UMA REVOLUÇÃO ESTÁ EM CURSO

No Brasil, raras são as políticas culturais que se perpetuam. Isto é catastrófico, posto que a cultura fica ao sabor de eventos, de vontades que variam ao sabor das circunstâncias. É imperioso que projetos bem sucedidos no campo do fomento e desenvolvimento artístico e cultural tenham continuidade, e se coloquem como mecanismos efetivos e estruturantes na construção de nossa produção criativa. Ao final de dois anos, e já em meio ao seu terceiro ano de atividades, o Núcleo de Dramaturgia SESI Paraná vem afirmando sua vocação (de continuidade na formação e amadurecimento de toda uma geração de autores) de modo decisivo no panorama do teatro paranaense e – sem dúvida – também no panorama do teatro contemporâneo brasileiro.

Há uma revolução – em termos de forma e conteúdo, instâncias indissociáveis aqui – em curso nestas obras. Outros sistemas dramáticos, que nos permitem experienciarmos o tempo, o espaço e a condição humana de modos insuspeitados até então. Estes sistemas, erigidos com originalidade por seus autores, renovam a dramaturgia contemporânea e expandem os limites do teatro – além de desencadearem uma reflexão profunda acerca do modo como vivemos nossas vidas. São novos procedimentos técnicos, que surgem por conta das visões de mundo singulares dos dramaturgos. É como se as técnicas existentes não dessem conta de traduzir e expandir cenicamente estas visões – o que torna incontornável a invenção de procedimentos e operações dramatúrgicas fundantes.

Descrever tais procedimentos é tarefa necessária, mas para tanto será preciso uma publicação teórica específica, haja vista a complexidade do material; por ora, poderíamos apontar algumas operações que saltam aos olhos mediante uma primeira análise:

1- Deslocamentos permanentes, tanto no tempo/espaço quanto nos modos de subjetivação, construindo miríades de trânsitos em contraste e ruído, produzindo experienciações singulares e autônomas por parte de cada receptor;

2- Polissemia, através da proposição de signos indecidíveis quanto ao seu significado último, mas poderosos o bastante para instigar nosso imaginário na procura por seus infinitos sentidos possíveis;

3- Construção de mimeses cognoscíveis como a instauração de solos para saltos em direção a mimeses incognoscíveis (a proposição de novas mitologias, de novos moldes arquetípicos);

4- Outros desenhos da condição humana, que apontam para outras possibilidades de vivenciarmos nossa humanidade (Dramáticas do Transumano), através da criação de arquiteturas linguísticas que transfiguram poeticamente o real e que nos proporcionam outros modos de habitarmos a vida;

5- A crença (operacional para estes autores) na obra de arte como um sistema complexo de relações formais, construído no mais amplo diálogo com sistemas anteriores, que nos proporcione uma experiência estética para além da vivência proporcionada pela cultura de massa.

Uma arte só sobrevive na medida em que se reinventa; sempre foi assim na história do teatro, desde Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, Shakespeare, Ibsen, Tchekov, Nelson Rodrigues… São estes grandes dramaturgos do passado que nos servem de exemplo (e não de modelos): autores que deram contribuições que ressignificaram completamente a dramaturgia (e a humanidade) em seus períodos de atuação. Não se trata aqui de descobrir o passado, mas sim de inventar o futuro – ecoando, portanto, o impulso criador de todos os mestres de outrora.

As peças produzidas por este grupo de autores (talentosos e comprometidos com sua arte em um nível assustador) estão entre o que há de mais revolucionário na dramaturgia contemporânea internacional, e muito em breve irão conquistar o lugar que lhes é próprio no panorama do teatro do século XXI. Que o Núcleo de Dramaturgia SESI Paraná se perpetue por muitos anos: trabalhamos sob o signo do amor ao teatro, em prol da liberdade artística, procurando ampliar as possibilidades da vida humana para além de qualquer forma ou discurso hegemônico, e não poderíamos estar mais felizes.

ROBERTO ALVIM

Aoû 05 2011

Conto da @gabises

Canções


*Gabriela Keller

 

Tinha sempre uma caneta no bolso e vivia a escrever em guardanapos. Carregava, entre os cabelos mortos, as ilusões de que precisava para sustentar a respiração. Era um dia triste aquele, apesar do sol e das flores que se equilibravam em sua janela pela manhã. Apesar de esta ter sido a única noite em que não ouviu as vozes que sufocavam entre as camadas das paredes. De seu minúsculo apartamento cinza. Teria se sentido melhor se estivesse chovendo. Se seus dedos vazios tivessem deixado escorrer as presenças de todas as noites frias. Sabia que os dias de sol e de flores eram alegres. Sempre alegres. E iguais. Os dias cinzas e pétreos. Tristes. Cada um carregando uma tristeza. Diferente. Não suportava o som dos próprios passos. Às vezes as paredes gritavam tanto que não conseguia ouvi-los. Preferia se perder. E se perdia quando não os ouvia. Se perdia. Todos os dias os dedos amanheciam cheios de moscas. Esperava que alguém encontrasse seus guardanapos de palavras algum dia. Escrevia poemas. Às vezes, uma palavra apenas. Uma letra. Chegou a escrever um parágrafo de uma história que escreveria quando chegasse em casa. Mas nunca as levava consigo. As histórias. Os guardanapos. Escrevia vezenquando sem perceber e, quando chegava a garçonete com o café amargo de sempre e as bolachas secas e sem gosto de sempre, notava que havia pensamentos por toda a mesa. A menina dos cabelos cheios de sonhos chegava sempre às três. Pedia chá. Bolo de chocolate. Balas ruins de troco. Sentou-se na mesa dos pensamentos em guardanapos. Leu todos eles. Até esfriar o chá. Sem falar. Quase não respirava. Colocou um deles no bolso. Por meia hora. Ele engolindo o café amargo com dificuldade. Ela comendo o bolo. Ele tentando adivinhar o som dos passos dela entre as paredes dele. Ela se levantou e foi embora. Ele esfregou as mãos na blusa e voltou. A moldura que dividia ao meio as janelas do ônibus impedia-o de ver as cabeças de quem passava. Podia criar rostos para eles. Entrou na casa abafada. Sem canção. Só um abajur ligado. A lâmpada quase queimando.


 

*Gabriela Keller é fotógrafa e escritora. Faz parte da Cia Experiencial O Teatro do Excluído. Siga ela no twitter: @gabises

Aoû 02 2011

Conto

A ESQUINA

* Luiz Henrique Dias

Talvez seu grande amor estivesse em uma esquina.  

E, pensando nisso, ela desceu. Quatro lances de escada até a rua. Seu vestido rodado. Seu olhar presente na ausência. Seu sorriso contido frente ao espelho. Respirou fundo e, mesmo com aquela chuva forte, pôs-se a caminhar, pulando as poças e sorrindo a todos. Na quitanda, duas quadras à frente, parou. Deixou o guarda-chuva à porta e, logo após, saiu com um pequeno pacote de damascos secos, um velho presente a quem se gosta.

Cantou na chuva.

Deu voltas e voltas em torno do próprio eixo. Forma de expressar algo, alegria, sutileza. Ouviu uma música de sua cabeça. Dançou consigo mesma, tirando o corpo fora, se molhando. Colheu uma flor – a única em toda aquela cinza cidade.

Em todo tempo, o tempo todo, olhava as esquinas, os rostos ali parados.

Sabia que ele, o amor, estaria ali. A esperar. Com um chocolate ou um outro pacote de damascos. Sabia perceber a hora certa, quando o visse, quando o encontrasse, quando o sorriso expressasse algo não efêmero.

Correu quando pôde.

Na última esquina da cidade, parou. Ele não estava ali.

Não esteve até ali e não estava ali.

E não havia mais esquinas.

Mas havia um banquinho. Sentada, no banquinho. Por horas.

Ela pegou o pano de dentro da bolsa e secou o rosto. O relógio indicava estar tarde e ela voltou para casa. Agora sem correr, sem dançar, sem colher flores. Voltou, caminhando, comportada, sentindo a chuva a rasgar o ar.

Em frente de casa, colocou o pacote molhado de damascos no lixo, olhou a caixa de correios e desapareceu para o mundo.

Amanhã, talvez, quem sabe, chova novamente.

* Luiz Henrique Dias é dramaturgo, diretor da Cia Experiencial O Teatro do Excluído e estudante de Arquitetura e Urbanismo e Gestão Pública. Siga ele lá no twitter: @LuizHDias

Aoû 01 2011

Impressões sobre Guizos (por Wynia Lopes)

" UmTeatro para "iniciados"

É o que propõe o “TEATRO DO EXCLUIDO” com o espetáculo GUIZOS que está em cartaz no Teatro da Lupah aos sábados e domingos aqui em Foz do Iguaçu. Estive entre os “doze” (número máximo de espectadores por sessão) neste sábado dia 30 e pude conferir a produção “bem cuidada” e “econômica” , num bom sentido, tudo com “cara” de teatro profissional, também, no melhor sentido, não sabendo se todos os envolvidos  o são. Um “espetáculo”que prima pela palavra, dita de forma quase sempre “linear” (esboça intenções, talvez “intencioanlmente”) pelo único ator em cena Gabriel Pasini. Não é interativo, embora, algumas vezes o texto coloca, nós espectadores, como os “fantasmas” do personagem e quebra a “quarta parede”, através da força da palavra o que causa um certo “desconforto”, já que somos pegos de “surpresa” dentro daquela situação “inesperada” e “incômoda” , sem olhos e com a boca costurada! Um personagem-narrador, transita entre a lucidez e a insanidade, lembrando muito a temática de Egar Allan Poe e uma interpretação muito bem marcada, coreografada, precisa, nada convencional, assim como o espaço, assim como o Teatro deve ser, livre e verdadeiro. É um alívio, de certo modo, saber que aqui, existem pessoas que estão dispostas a experimentar outras formas de se fazer teatro, talvez “nova” na região, mas que está sendo feito e visto em outras cidades, em outros estados, em outros países, em detrimento dos “enlatados e do besteirol” . Um Teatro  “provocador”, que nos dá outras opções, que sugere outros caminhos, que permite outras experiências, que acima de tudo, ao que parece, busca a “transformação”, em minha opinião, a principal caracteristica da Arte. Iluminação e sonoplastia não se destacam, com certeza por estarem exatamente onde deveriam estar. Parabéns ao  autor e diretor Luiz Henrique Dias, à Gabriel Pasini, à toda equipe.
Minha vontade de voltar, aumentou um pouquinho mais! Se eu fosse vocês, não perderia!”

Em: http://wynialopes.blogspot.com/2011/08/umteatro-para-iniciados.html?spref=fb


+
A minha volta ao curso de Arquitetura, hoje, depois de dois anos fora, não poderia ser melhor: uma aula de composição com o professor Vila e, depois, fora da faculdade, mas com a cabeça nela, a gravação de meu programa na rádio, o CBN Urbanus, em que entrevistei o meu professor, o urbanista Alexandre Baltazar. 
Na aula, com alguns colegas novos, muitos ex-alunos meus, fiquei ao fundo, quieto, anotando num caderninho, com minha caneta tinteira, como há tempos fazia, e arriscando pequenas paisagens de cidades, como há tempos não fazia. 
Ao final, uma boa conversa com o professor sobre literatura e teatro. Nada de projeto. O curso de arquitetura, ao contrário do que muitos pensam, incluo, aí, meus colegas, vai além: sai das paredes, vazias, da Instituição Privada - a única que temos com a graduação por essas bandas - e viaja pelas ruas cada vez mais tomadas e pelas calçadas cada vez mais vazias. Vai ao teatro, à fotografia, à música e, em última instância, chega na mesa de projeto ou nas obras. 
Uma hora depois estava eu no estúdio, ao lado de um grande urbanista, mestre no assunto e com pensamentos extremamente progressistas. Falamos por uma hora sobre a cidade, o futuro e o planejamento. Entre os blocos, conversávamos sobre inúmeros outros temas relacionado à cidade. Creio ter sido o off do programa mais completo que o on. 
Ao final, depois de um dia daqueles, fui para o PTI aprender um pouco mais sobre auditoria pública e me convencer ainda mais o que ninguém precisa me dizer: amo fazer teatro e adoro política. Eu acrescentaria outro termo, para ficar política pública. 
A profissão é dramaturgo. Política não é profissão. É necessidade. 
E vou continuar sendo dramaturgo. Dramaturgo, comunista, hiperativo e ateu. Como todos me classificam. Sou feliz assim.
Vou terminar (em 4 semestre) a faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Será um título, apenas. Um título para guardar com carinho e para avalizar minha atuação política. Mas um título de prazer. O curso de arquitetura é algo que me faz bem, pela arte, pelas conversas, pelo ambiente. Nunca, nunca mesmo, pelo cheiro de tijolo. 
E lá vamos nós. 

A minha volta ao curso de Arquitetura, hoje, depois de dois anos fora, não poderia ser melhor: uma aula de composição com o professor Vila e, depois, fora da faculdade, mas com a cabeça nela, a gravação de meu programa na rádio, o CBN Urbanus, em que entrevistei o meu professor, o urbanista Alexandre Baltazar. 

Na aula, com alguns colegas novos, muitos ex-alunos meus, fiquei ao fundo, quieto, anotando num caderninho, com minha caneta tinteira, como há tempos fazia, e arriscando pequenas paisagens de cidades, como há tempos não fazia. 

Ao final, uma boa conversa com o professor sobre literatura e teatro. Nada de projeto. O curso de arquitetura, ao contrário do que muitos pensam, incluo, aí, meus colegas, vai além: sai das paredes, vazias, da Instituição Privada - a única que temos com a graduação por essas bandas - e viaja pelas ruas cada vez mais tomadas e pelas calçadas cada vez mais vazias. Vai ao teatro, à fotografia, à música e, em última instância, chega na mesa de projeto ou nas obras. 

Uma hora depois estava eu no estúdio, ao lado de um grande urbanista, mestre no assunto e com pensamentos extremamente progressistas. Falamos por uma hora sobre a cidade, o futuro e o planejamento. Entre os blocos, conversávamos sobre inúmeros outros temas relacionado à cidade. Creio ter sido o off do programa mais completo que o on

Ao final, depois de um dia daqueles, fui para o PTI aprender um pouco mais sobre auditoria pública e me convencer ainda mais o que ninguém precisa me dizer: amo fazer teatro e adoro política. Eu acrescentaria outro termo, para ficar política pública. 

A profissão é dramaturgo. Política não é profissão. É necessidade. 

E vou continuar sendo dramaturgo. Dramaturgo, comunista, hiperativo e ateu. Como todos me classificam. Sou feliz assim.

Vou terminar (em 4 semestre) a faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Será um título, apenas. Um título para guardar com carinho e para avalizar minha atuação política. Mas um título de prazer. O curso de arquitetura é algo que me faz bem, pela arte, pelas conversas, pelo ambiente. Nunca, nunca mesmo, pelo cheiro de tijolo. 

E lá vamos nós. 

Juil 31 2011

Guizos - por Jeane Hanauer

Homenagem à peça em cartaz Guizos, da Cia. Experencial O Teatro do Excluído. Espero que gostem e se sintam convidados.
Após o texto, segue link do meu blog, onde postei. 
Agradeço o envio a seus amigos, para evidenciarmos este novo e corajoso projeto iguaçuense.
Abraço a todos e aguardamos vocês no stand dos escritores, no Salão do Livro. 
Jeane Hanauer


Guizos” e outras encenações da palavra

"Ontem eu vi GUIZOS. Sonhei com GUIZOS. Hoje continuo ouvindo GUIZOS. Desde sempre preciso somente do silêncio e da penumbra e da palavra e de alguns porões pra viver. A palavra e o silêncio e certos escuros e alguns acordes sutis me bastam. Nos porões, além de teias e poeira e mistérios, há coisas bem imprescindíveis e lúcidas. Por isso vou permanecer nos sótãos de GUIZOS que estou bem lá, obrigada. Porque só sei o código da ARTE. Da ARTE. Da ARTE.

Por isso hoje beberei o vinho Saint Germain que ganhei ontem das cronópias Nuria e Zinha - que estavam lá, com seus guizos também - beberei este vinho porque é véspera do meu aniversário e porque preciso celebrar o alívio de saber que não estou só na minha mais lúcida e consciente esquizofrenia que é esta escolha de optar por viver na PALAVRA, pela PALAVRA eda PALAVRA.

Beberei este vinho  - como em Lavoura Arcaica - para celebrar a admiração que sinto pelo texto cirúrgico de Luiz Henrique Dias, pela atuação hipnótica de Gabriel Pasini, pelos bichos sonoros de Natacha Pastore e pela dona do fuzil escuro/claro Gabriela Keller. Celebrarei esta certeza e necessidade que sinto de escrever algo pra ser encenado por esta Companhia ou que eu mesma me “encene”, ou ambos, ou, ou, ou. Beberei este vinho pra confirmar minha vontade e meu projeto e minha CONDIÇÃO EXISTENCIAL sine qua non que é viver na ARTE, pela ARTE eDA ARTE. (destaque especial para o “DA”, porque, embora eu goste do escuro, às vezes é preciso pagar a conta de luz).

Servirei deste mesmo vinho na noite em que lançarei meu Cronópio Godot, nos próximos dias, e onde farei algumas homenagens a cronópios mortos e vivos – eventualmente a alguns em coma - a alguns escuros e alguns silêncios, algumas facas, alguns ópios, algumas dramaturgias, alguns Vladimires e Estragons, algumas Clarices e suas baratas. Algumas demarcações de território. Algumas trincheiras. Algumas alquimias. In vino veritas.”

Jeane Hanauer

Juil 28 2011
Guizos. Foto da Estréia. Por Gabriela Keller

Guizos. Foto da Estréia. Por Gabriela Keller

Juil 25 2011

Coluna Gazeta 25 de julho

Quando se volta aos palcos

                                             * Luiz Henrique Dias

Na última sexta-feira voltei aos palcos. Não como ator, mas assinando minha primeira direção.

Guizos, texto produzido com a bagagem do Núcleo de Dramaturgia do SESI Paraná, de Curitiba, sob a orientação do maior encenador contemporâneo brasileiro, Roberto Alvim, escrito e encenado em Foz, é o resultado de seis meses de trabalho e de quase dois anos de pesquisa cênica.

A peça conta a história de Tom, interpretado por Gabriel Pasini, um médico de bairro vivendo as tensões de um relacionamento aprisionante. É um monólogo e a história é toda falada sobre as luzes de Gabriela Keller e sons de Natacha Pastore, numa encenação minimalista e de uma direção de fotografia belíssima, assinada por todo o grupo e registrada para sempre pelas lentes, também, de Gabriela Keller.

Melhor ainda é fazer uma peça contemporânea, escrita, dirigida, produzida e interpretada por iguaçuenses, no pequeno teatro de 12 lugares que, junto com o publicitário Yuri Amaral, construímos aqui na cidade, contrapondo a ideia do “grande teatro” e ajudando a difundir o teatro não como espetáculo, mas como arte, obra de arte, proporcionando uma experienciação a todos que assistirem a nossa peça.

Mais animador é poder oferecer à cidade uma peça de altíssimo nível teórico (falo isso porque sei quem é minha equipe) e com temporada. Guizos fará 15 sessões no Teatro da Lupah! e, logo depois, estrearemos uma nova peça. Queremos dar a garantia à cidade de teatro todos os sábados e domingos, além da Escola Permanente de Teatro e dos cursos e palestras nas diversas áreas, como ilustração, história da arte, dramaturgia e teoria teatral.

Por fim, dizer que acreditamos na cidade. Como sempre. Vivemos em um lugar único, cosmopolita, plural e com um futuro promissor. Temos sim uma cultura ativa e uma arte inflamada. Temos público. Temos demanda. E, agora, temos uma nova peça e um novo lugar para a difusão dessa nova cidade, construída, dia-a-dia, por pessoas de bem.

Serviço

Peça: Guizos – de Luiz Henrique Dias

Temporada: 23 de julho a 04 de setembro

Local: Teatro da Lupah! – Rua Rui Barbosa, 1172. Centro.

Horários: Sábados, 20h30 e domingos, 19h30

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

Informações: teatrodoexcluido@gmail.com

* Luiz Henrique Dias é diretor da Cia Experiencial O Teatro do Excluído. Acesse: luizhenriquedias.com.br ou siga ele lá no twitter: @LuizHDias

Juil 19 2011
 
Guizos, de Luiz Henrique Dias, conta a história de Tom - interpretado por Gabriel Pasini -, um médico de bairro, afundado em sua esquizofrenia e em um relacionamento amoroso aprisionante e confuso. Com uma encenação minimalista, direção de fotografia de Gabriela Keller e trilha sonora de Natacha Pastore, a peça representa o novo trabalho da Cia Experiencial O Teatro do Excluído, fundada em 1997, e a inauguração do Teatro da Lupah!, um “teatro de bolso” para doze expectadores.
A proposta da Cia Experiencial é levar o espectador a um mundo novo, com regras novas, através do teatro-palavra e da contraposição entre os elementos básicos da encenação: ruído-silêncio, luz-escuro e presença-ausência. 
O teatro da Lupah! funda uma nova fase no teatro da cidade, propondo apresentação de peças contemporâneas e grupos de debate e pesquisa teatral, com grandes temporadas e dando à cidade a garantia de poder contar, todas as semanas, com peças em cartaz, quebrando o ciclo vicioso das “montagens de duas ou três apresentações”, até hoje comuns em Foz do Iguaçu. 
 Guizos é o marco de todo esse trabalho. 
A peça estará em cartaz de 23 de julho a 04 de setembro, sempre aos sábados e domingos, 20h30 e 19h30, respectivamente, com ingressos a R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Serão somente 12 lugares por sessão e os ingressos devem ser reservados pelo email teatrodoexcluido@gmail.com ou pelo telefone (11) 7950-4000. 
 
 COMPANHIA
 Luiz Henrique Dias - Dramaturgia e Encenação 
 Diretor e ator desde 1997, membro do Núcleo de Dramaturgia do SESI Curitiba, professor, coordenador da Escola de Teatro Lupah!, escritor, colunista do Portal ClickFoz, do Jornal A Gazeta do Iguaçu e de diversos veículos impressos e online, estudante de Arquitetura e Urbanismo da UDC e Administração Pública do IFSC e ministrante da Oficina de Dramaturgia do SESI em Foz do Iguaçu e Pato Branco.
 Gabriel Pasini - Atuação
 Ator, ex-integrante da Cia Vida é Sonho, estudante de Comunicação Social da UDC.
 Gabriela Keller - Iluminação e Fotografia
 Fotógrafa, escritora, colunista do Jornal A Gazeta do Iguaçu, estudante de Psicologia da FAA e de Letras da Unila. Realiza pesquisa teatral.
 Natacha Pastore - Trilha Sonora e Técnica
 Música, desenhista, estudante de Direito da Unioeste.

Guizos, de Luiz Henrique Dias, conta a história de Tom - interpretado por Gabriel Pasini -, um médico de bairro, afundado em sua esquizofrenia e em um relacionamento amoroso aprisionante e confuso. Com uma encenação minimalista, direção de fotografia de Gabriela Keller e trilha sonora de Natacha Pastore, a peça representa o novo trabalho da Cia Experiencial O Teatro do Excluído, fundada em 1997, e a inauguração do Teatro da Lupah!, um “teatro de bolso” para doze expectadores.

A proposta da Cia Experiencial é levar o espectador a um mundo novo, com regras novas, através do teatro-palavra e da contraposição entre os elementos básicos da encenação: ruído-silêncio, luz-escuro e presença-ausência. 

O teatro da Lupah! funda uma nova fase no teatro da cidade, propondo apresentação de peças contemporâneas e grupos de debate e pesquisa teatral, com grandes temporadas e dando à cidade a garantia de poder contar, todas as semanas, com peças em cartaz, quebrando o ciclo vicioso das “montagens de duas ou três apresentações”, até hoje comuns em Foz do Iguaçu. 

 Guizos é o marco de todo esse trabalho. 

A peça estará em cartaz de 23 de julho a 04 de setembro, sempre aos sábados e domingos, 20h30 e 19h30, respectivamente, com ingressos a R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Serão somente 12 lugares por sessão e os ingressos devem ser reservados pelo email teatrodoexcluido@gmail.com ou pelo telefone (11) 7950-4000. 

 

 COMPANHIA

 Luiz Henrique Dias - Dramaturgia e Encenação 

 Diretor e ator desde 1997, membro do Núcleo de Dramaturgia do SESI Curitiba, professor, coordenador da Escola de Teatro Lupah!, escritor, colunista do Portal ClickFoz, do Jornal A Gazeta do Iguaçu e de diversos veículos impressos e online, estudante de Arquitetura e Urbanismo da UDC e Administração Pública do IFSC e ministrante da Oficina de Dramaturgia do SESI em Foz do Iguaçu e Pato Branco.

 Gabriel Pasini - Atuação

 Ator, ex-integrante da Cia Vida é Sonho, estudante de Comunicação Social da UDC.

 Gabriela Keller - Iluminação e Fotografia

 Fotógrafa, escritora, colunista do Jornal A Gazeta do Iguaçu, estudante de Psicologia da FAA e de Letras da Unila. Realiza pesquisa teatral.

 Natacha Pastore - Trilha Sonora e Técnica

 Música, desenhista, estudante de Direito da Unioeste.


Juil 17 2011

Releituras - Contos

A Visita

Bateram na porta. Quem será? - perguntou para si mesma a Marieta, enquanto enxugava a mão em um pano de prato e, sem tirar o pensamento no almoço que estava fazendo, caminhava até a porta. Bateram de novo. “Já ouvi. Estou abrindo.”Abriu. Era o Lúcio. O Lúcio? Sim, o Lúcio, sorrindo. Ela parou de enxugar as mãos. Parou de respirar. Parou de pensar. Só olhava para a cara do cara e, numa atitude tipicamente vegetal, fotossintetizava aquela informação. Talvez o leitor deva estar se perguntando quem é o tal. Um assassino? Um ex-namorado? O irmão distante? Cabe a mim, narrador, citar, apenas, que, todos os sentimentos facilmente relatáveis para situações similares, todo o rol de sentimentos de rápido acesso, ficam exclusos de tal cena, uma vez que, na segunda (era sexta) ela havia estado no enterro do Lúcio. Mas será o Lúcio? Claro. Nós nos esquecemos da fisionomia de nossos mortos com o tempo, é normal, mesmo dos mais amados, mas, em três ou quatro dias, era impossível se esquecer. Era sim o Lúcio e ele estava sorrindo bem na frente da Marieta que, nessa hora, já conseguia, aos poucos, expressar alguma reação provando não estar morta, ao contrário dele: morto e enterrado. Enquanto ele não dizia nada, ela já conseguia criar algumas situações mentais, teses e tentativas de explicar aquilo, antes de correr e gritar. Tentou procurar marcas de barro nas roupas dele pois, se saiu da cova, deveria estar sujo. Estava limpo. Nem estava com a roupa do velório. Respirou. Talvez, tenha tomado um banho. Relutou para não apelar ao mundo das fantasias. Não poderia ser um fantasma. Fantasmas não existem. Mas e o Lúcio? Ele estava morto, morto e enterrado. Ela viu. Foi ao enterro. Colocou a mão sobre a testa dele e acariciou, como fazemos nos velórios, conversou com as pessoas presentes, seguiu o cortejo, chorou no enterro. Não havia nenhuma possibilidade dele estar vivo. Seu cérebro já não conseguia mais criar teses. Esgotou-se. Ele ainda estava com o mesmo sorriso. Talvez todo esse relato não corresponda a mais de três ou quatro segundos de cena. Respirou bem fundo. Oi, Lúcio. Oi, Marieta. Ele fala! Pico de desespero. Vale de calma. Pico de desespero. Vale de calma. As ondas humanas em oscilação. Respirou novamente. Entra, Lúcio. Faço um almoço para você. Com licença, Marieta. Ele senta-se na poltrona verde, antiga, na sala. Ela vai até a cozinha, abaixa o fogo, confere o molho, volta, acomoda-se em frente. Lúcio, fique calmo, pode começar a contar. E adverte: mas conte tudo. 

Juil 15 2011
Guizos

Guizos

Juil 08 2011
Iniciamos no dia 02 de julho nossa participação no Núcleo de Dramaturgia do SESI, com a oficina de Foz do Iguaçu. 
Esse evento representa para a cidade mais uma engrenagem do crescimento cultural e da qualificação de grupos e trabalhos, através de uma profissionalização e do combate ao amadorismo (institucionalizado ou não).
A próxima etapa é a estreia de novas peças, incorporação de representações da cidade novamente nos grandes festivais e o combate ao uso indevido de direitos de autores, o que, além de respeitar a autoria, favorece a criação de textos e roteiros na própria cidade e trás respeito e respaldo à atividade artístico-cultural da cidade. 
Parabéns a todos os envolvidos!

Iniciamos no dia 02 de julho nossa participação no Núcleo de Dramaturgia do SESI, com a oficina de Foz do Iguaçu. 

Esse evento representa para a cidade mais uma engrenagem do crescimento cultural e da qualificação de grupos e trabalhos, através de uma profissionalização e do combate ao amadorismo (institucionalizado ou não).

A próxima etapa é a estreia de novas peças, incorporação de representações da cidade novamente nos grandes festivais e o combate ao uso indevido de direitos de autores, o que, além de respeitar a autoria, favorece a criação de textos e roteiros na própria cidade e trás respeito e respaldo à atividade artístico-cultural da cidade. 

Parabéns a todos os envolvidos!

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renatabrl:

não resisti, TAKE ME TO THE KITTENS

renatabrl:

não resisti, TAKE ME TO THE KITTENS

(via saidmissaid)

9 notes

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Conto Inédito

O Pensamento

* Luiz Henrique Dias

Se parou, foi pelo barulho.

Nem percebera, antes do ruído, que, talvez, estivesse morto. É assim morrer? Ainda se pensa? Suas pálpebras estavam fechadas sem que as forçasse. Cogitou abrir os olhos, mas tinha medo, muito medo. O ar parecia, por instantes, ser menos denso ou até não mais existir. Algumas vozes, cada vez mais baixas, desapareciam, uma a uma, até o silêncio. Um silêncio fúnebre. Preferiu ficar ali, morto, e esperar os pensamentos acabarem.

A cada tentativa de pensar, pensava. E isso o incomodava. Sem noção alguma de tempo, esperava o resultado de tudo aquilo. Lembrava-se do barulho do carro chegando, daqueles homens gritando, procurando-o. Soube o tempo todo que não teria chance e, entendendo, naquele momento, seu destino, pouca reação teve. Ficou sentado, como estava, e cuidou apenas de fechar os olhos. As mãos se colocaram à frente e, aos tapas, em vão, buscaram o proteger. Seu corpo caiu exatamente como está agora, exceto pela mão que fez questão de abrir, depois de beijar o chão frio. E sente mais frio, além de pensar. A morte parece diferente: sem luzes, sem anormalidades. Apenas frio e lembranças. Adormece.

Desperta repentinamente e, percebendo-se em algum lugar, abre os olhos. Tudo escuro. Respira um pouco de poeira e vira-se, à procura do teto. Algo dói muito, nas pernas, no quadril, na nuca. Não há sinal de luz. Leva a mão ao rosto e, no escuro, toca-se. Os pensamentos alternam-se com espasmos de dor e, num ato de afirmação de presença, geme.

Quando amanhecer, poderá ver a luz novamente, entrando pela janela e pela porta da sala. Tudo estará revirado. Rastejará até a mesa do telefone e, por tato, discará o único número que lembra. Engolirá algo com gosto de sangue enquanto o telefone tocar do outra lado, pensará no que dizer. Em como dizer.

* Luiz Henrique Dias é diretor da Cia Experiencial O Teatro do Excluído, Membro do Núcleo de Dramaturgia do SESI Paraná. Acesse luizhenriquedias.com.br ou siga ele no twitter: @LuizHDias

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